
A Justiça determinou que a Prefeitura de São Luís restabeleça a execução de programas de segurança alimentar que estavam paralisados ou funcionando de forma irregular. A decisão obriga o Município a retomar as ações dos programas Aquisição de Alimentos (antigo Alimenta Brasil), Peixe na Mesa (Mesa Farta), Leite em Casa e Educação Alimentar e Nutricional, todos vinculados à Secretaria Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional (SEMSA).
A sentença estabelece o prazo de 60 dias para que a administração municipal apresente um plano de adequação administrativa e um cronograma orçamentário-financeiro para regularizar a execução dos programas. O documento deverá conter metas, estratégias de distribuição dos alimentos e o calendário das licitações necessárias para a retomada das ações.
Além da obrigação de reativar os programas, o Município foi condenado ao pagamento de R$ 300 mil por danos morais coletivos. A decisão foi proferida pelo juiz Douglas de Melo Martins, titular da Vara de Interesses Difusos e Coletivos de São Luís.
Ao analisar o caso, o magistrado concluiu que os programas sofreram descontinuidade ou apresentaram falhas na execução, o que motivou uma Ação Civil Pública ajuizada pelo Ministério Público. Segundo a sentença, a interrupção das políticas públicas compromete o direito da população ao acesso à alimentação adequada, garantido pela Constituição Federal e pela Lei nº 11.346/2006, que institui o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional.
Na defesa apresentada à Justiça, a Prefeitura negou a interrupção das ações e argumentou que a paralisação do Programa Leite em Casa ocorreu devido ao descumprimento contratual por parte da empresa responsável pelo fornecimento. Também sustentou que alguns programas permaneciam em funcionamento e que outros dependiam apenas de ajustes administrativos. O Programa Cozinha Comunitária não foi analisado no processo por ser objeto de outra ação judicial.
Durante a tramitação da ação, entretanto, ficou comprovado que o Programa de Aquisição de Alimentos foi interrompido durante o ano eleitoral de 2024 e que o Leite em Casa está sem funcionamento desde 2022. As provas reunidas no processo também apontaram irregularidades na execução dos programas Peixe na Mesa e Educação Alimentar e Nutricional, contrariando a versão apresentada pelo Município.









